Sobre o projeto

O projeto, "MF2 - Perigosidade Meteorológica de Fogos Florestais", desenvolveu-se no âmbito da iniciativa "dataservices" alicerçada no objectivo estratégico de modernização das ferramentas de exploração de dados para apoio à tomada de decisão.

A plataforma web desenvolvida, tem por objectivo servir de interface aos utilizadores no acesso aos dados, resultantes do processamento numérico dos modelos atmosféricos e de detecção remota. A forma de acesso aos dados é disponibilizado através de um sistema informático de visualização e descarregamento de dados georeferenciados.

Através deste projeto o IPMA disponibiliza:


Sobre os dados

Índice FWI do Sistema Canadiano de Incêndio Florestal (CFFWIS) - ESTAÇÃO

Os componentes do Índice Meteorológico de Incêndio Florestal do Sistema Canadiano (Canadian Forest Fire Weather Index System, CFFWIS), designado genericamente como componentes do índice FWI, são calculados diariamente no IPMA para um conjunto de estações meteorológicas. O cálculo dos valores observados dos seis índices constituintes do índice FWI utilizam a observação nas estações dos parâmetros meteorológicos (temperatura e humidade relativa do ar a 2m, velocidade do vento a 10m e precipitação acumulada em 24 h) e os valores previstos utilizam as previsões do modelo de previsão numérica do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a médio prazo (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, ECMWF).

Os valores dos percentis dos componentes do índice FWI foram calculados com base num conjunto de 68 estações meteorológicas do continente, estações que continuamente têm sido utilizadas para o cálculo dos componentes do índice FWI, para a série de 15 anos (1999-2014) e para o período de 15 de junho a 15 de setembro.


Interpretação e valor dos percentis.


1) FWI- Índice Meteorológico de Perigo de Incêndio Florestal (Fire Weather Index)

O FWI indicador da intensidade da frente de fogo, definida como a libertação de energia por unidade de comprimento da frente de chamas. [1]

P25= 22.1, P50 = 29.8, P75 = 37.4, P90 = 45.1, P99 = 50.3


2) FFMC – Índice de Humidade dos Combustíveis Finos (Fine Fuel Moisture Content)

O FFMC representa o teor de humidade dos combustíveis finos (0.25kg/m2) mortos na camada superficial até 2 cm de profundidade e reflete as condições meteorológicas nos últimos 2 a 3 dias. Indicador da facilidade de ignição e de incidência de focos secundários [1]

P25= 87.3, P50 = 89.6, P75 = 91.7, P90 = 93.6, P99 = 94.7


3) DMC - Índice de Húmus (Duff Moisture Code)

O DMC representa o teor de humidade dos combustíveis médios mortos (5kg/m2) na camada entre 5 a 10 cm de profundidade. Indicador da facilidade de eliminação do combustível [1]

P25= 89.9, P50 = 138.8, P75 = 205.9, P90 = 274.9, P99 = 317.6


4) DC – índice de Seca (Drought Code)

O DC representa o teor de humidade dos combustíveis grossos (25kg/m2) mortos entre 10 a 20 cm de profundidade. Indicador da necessidade de rescaldo, de potencial reacendimento e de fogo subterrâneo.

P25= 477.6, P50 = 640.2, P75 = 713.0, P90 = 930.0, P99 = 1019.0


5) BUI – índice de Combustível Disponível (Buildup Index)

O BUI representa a carga de combustível disponível para a combustão.

P25= 120.9, P50 = 172.3, P75 = 273.7, P90 = 302, P99 = 341


6) ISI – Índice de Propagação Inicial (Initial Spread Index)

O ISI representa a velocidade inicial de progressão do fogo.

P25= 5.5, P50 = 7.8, P75 = 10.4, P90 = 13.6, P99 = 16.0


Índice HAINES Contínuo

As condições atmosféricas acima do solo, como exemplo a estabilidade atmosférica, desempenham um papel crítico no comportamento do fogo, especialmente em incêndios maiores. Em 1988, Haines (Haines, DA 1988) desenvolveu o Índice de Estabilidade da Baixa Atmosfera, ou Índice Haines. Este índice é usado para indicar o potencial de crescimento de incêndios florestais medindo a estabilidade e a secura do ar em um incêndio.

Devido à saturação rápida e frequente do índice de Haines e, portanto, pouco útil para identificar dias "extremos" ou "anomalias", foi elaborado um outro índice baseado nos mesmos princípios, mas com a vantagem de ser contínuo e não saturar tão frequentemente, o chamado Índice de Haines Continuo.

O índice de Haines contínuo, ou cHaines, foi desenvolvido pelo “Centre for Australian Weather and Climate Research” e utiliza os mesmos “input” que o índice Haines:

O índice de Haines contínuo toma valores entre 0 e 16 eliminando, relativamente ao índice Haines, transições abruptas entre as categorias e oferecendo maior discriminação em valores altos. Também permite uma avaliação mais realista das contribuições da instabilidade atmosférica e da depressão do ponto de orvalho para a pontuação geral.



CHI Comportamento provável do fogo e confiança da predição do fogo
< 4 Fogo facilmente controlado. Os modelos poderão predizer o trajecto do fogo com elevada probabilidade
4-8 Fogos podem ser difíceis de controlar e o comportamento do fogo pode ser errático. É provável a modelação do comportamento do fogo ser próxima da realidade
8-10 Fogos serão de difícil controlo e o comportamento do fogo será errático. É provável a modelação do comportamento do fogo sub estimar a realidade
> 10 Fogos não controláveis e extremamente difíceis de extinguir. É provável a modelação do comportamento do fogo sub estimar dramaticamente a realidade

Índice FWI do Sistema Canadiano de Incêndio Florestal (CFFWIS) - SATÉLITE

No âmbito do Projeto Land Surface Analysis Satellite Applications Facility (LSA SAF) é calculado para a Europa e disseminado todos os dias às 12 UTC, o índice FWI (Canadian Forest Fire Weather Index System). Este índice de perigo de fogo integra seis índices que quantificam os efeitos da humidade do combustível e do vento no comportamento do fogo. Os três primeiros índices caracterizam o teor médio de humidade do combustível no solo. A estes adicionam-se os efeitos de vento permitindo caracterizar a taxa de propagação do fogo. Os dois restantes índices representam o combustível disponível para a combustão e a intensidade do fogo frontal. O aumento de cada um destes componentes corresponde a um aumento de perigo de fogo.

As classes de perigo de fogo são finalmente definidas para uma determinada região, pela aplicação de uma abordagem estatística que permite calibrar o sistema FWI utilizando o número registado de fogos ativos e de pixels de fogo num determinado período de tempo.

Para calcular os seis índices do FWI foram utilizados os parâmetros meteorológicos (nomeadamente temperatura a 2 m, humidade relativa, velocidade do vento a 10m e precipitação acumulada em 24 h) das previsões de 24 h, 48 h e 72 dos modelos de previsão numérica do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a médio prazo (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, ECMWF).


FRP

A quantidade de calor libertado por radiação num fogo, por unidade de tempo (ou seja, a potência radiativa do fogo, FRP), está relacionada com a taxa de consumo de combustível. Medir a potência radiativa do fogo (FRP) e integrá-la durante a vida de um incêndio fornece uma estimativa do total de Energia Radiativa (FRE) libertada, que para fogos florestais é proporcional à quantidade total de biomassa queimada. O produto FRP disseminado no âmbito do Projeto Land Surface Analysis Satellite Applications Facility (LSA SAF) contem informações sobre a localização, a duração e a potência (FRP, em MWatts) de incêndios florestais detetados a cada 15 minutos no disco completo dos satélites geostacionários METEOSAT.

Os satélites geostacionários (MSG) têm capacidade para monitorizar a superfície com elevada frequência temporal (15 minutos), mas uma resolução no terreno de cerca de 4 a 5 km sobre Portugal Continental. Sensores a bordo de satélites de órbita polar, tais como METOP, incluído no Sistema Polar EUMETSAT (EPS) que opera em coordenação com o Sistema Operacional Polar (POES) da NOAA, permitem monitorizar a superfície com melhor resolução espacial (cerca de 1 km), mas com uma frequência temporal muito inferior (4 observações diárias considerando o sistema conjunto EPS e POES).

A capacidade de deteção de eventos está intimamente ligada à resolução espacial do satélite METEOSAT e consequentemente eventos de fraca intensidade não serão identificados. Por outro lado, a localização de cada fogo corresponde ao centro do pixel no qual este foi identificado, admitindo-se uma incerteza da ordem de 1 pixel e 1/3 na posição geográfica de cada evento.


Modelo AROME

O AROME é um modelo de previsão numérica do tempo de área limitada e elevada resolução, o qual tem sido desenvolvido no âmbito do projeto ALADIN. Este modelo é não hidrostático e foi construído a partir do núcleo da dinâmica do modelo ALADIN e do pacote de parametrizações físicas do modelo de investigação francês MESO-NH. A versão operacional do AROME utiliza as previsões do modelo ARPEGE como condições iniciais e fronteira.

O AROME é executado localmente com uma resolução vertical de 60 níveis e horizontal de 2.5 km, para um alcance de 48 horas, nos seguintes domínios:

Parâmetros de superfície:

A Temperatura ponto orvalho e calculada através da formula:

td(j) = 273,15 + (C * (LOG(hr(j) / 100) + ((B * T(j))/(C + T(j))))) / (B - LOG(hr(j) / 100) + ((B * T(j)) / (C + T(j)))), B=18,678 e C=257,14


Modelo ECMWF

O modelo do ECMWF é global, ou seja, efetua previsões para todo o globo. A versão determinista é executada com um alcance máximo de 10 dias, uma resolução vertical de 137 níveis e uma resolução horizontal de 9 km. No âmbito deste projeto foi estabelecido o seguinte domínio:

Parâmetros de superfície:

Parâmetros de altitude:

Índices: